terça-feira, 16 de dezembro de 2014

A SAGA DE JESUS MENINO







LICENÇA POÉTICA


 


 


segunda-feira, 7 de dezembro de 2014







JESUS MENINO


 


I-



Jesus nasceu na favela do Jaguaré



 


Seu nome completo era



 


Jesus da Silva e de Nazaré



 


Ele nasceu em uma favela



Mas se criou em outra



 


A favela do Sapé



 


Pois sua comunidade ou favela do Jaguaré



 


Já não é a mesma



 


Pois a vida de um bandido



 


Pobre e ralé



não vale nem mais



que um parco tostão



 


Então foi melhor mudar-se



 


De mala, Cuias e UM três oitão.



Na mão.



 


Para uma quebrada bem mais quente



 


Comunidade mais pobre e carente



 


De toda esta cidade tão grande



 


E cruel



 


II-



 


Do Sapé ao inferninho



 


Na comunidade do Sape



 


Jesus menino



 


Cresceu



Sem eira e nenhum destino



 


Ou melhor



 


O seu encontro marcado



 


Com a Morte



Sabia à hora e a configuração


Das estrelas



 


Mas quem sabe



 


Ir ao encontra dela



 


Não seria transformar



 


Sua própria vida



 


Sua amarga e cruel sorte.



 


III-



 


Cresceu como todo sadio



 


Quase que vadio menino



De comunidade da periferia



 


Do samba e de Sampa



 


Correndo atrás de pipa e passarinho



 


E seguindo os conselhos



 


Dos mais velhos



 


Bom Jesus menino.


 


 



 


IV-



 


Sua mãe sempre dizia



 


Jesus menino:



Não se envolva com o mal



 


O crime que não compensa



 


Comparsas das trevas



 


Cobras e serpentes peçonhentas



 


Sempre o chamarão para



 


Paradas erradas



 


E seu destino



 


Jesus menino



 


É libertar o seu povo



 


De uma escravidão moderna



 


Quebradas



 


Comunidades



 


Favelas.



 



 



V-



 


Sabia que havia nascido



 


Diferente de todos os amigos



 


Toda a sua tão pobre e inteligente



 


Gente e parentes.



 


Quando era provocado



 


Sua ira era tanta



 


Quase que Santa



 


Gritava alto



 


Tal qual o mais estrondoso trovão



 


E a natureza respondia



 


Ao seu comando



 


Sua vontade de Jesus menino



 


Dono do mais trágico dos destinos.



 



 



 


VI-



 


Cordeiro de Deus



 


Que tirai os pecados do mundo



 


Proteja e faça crescer



 


Jesus menino



 


Pois seu Pai



 


Enviou-nos para a todos



 



nós salvar;



 



E limpar da Terra



 



Sua mãe Gaia



 



De Todo mal ancestral



 



Terra sagrada



 



Mais batizada e irrigada



 



Com o sangue dos inocentes.



 



Por um demônio do capital



 



Babilônico Baal.



 


VII



 


Jesus menino



 


Não tinha irmãos de sangue



 


Elias seu primo



 


Mais velho do que Jesus menino



 


Cumpria esse papel



 


Amigo fiel



 


Irmão protetor.



 



 


 


 


 


 


 


VIII-



 



Seu primo Elias



Escrevia versos e prosa



Sem caneta



Lápis



Ou computador



Era pastor de ovelhas



E homens



E sua maior habilidade



Era servir a Deus



E identificar e matar lobisomens



Que muitos acreditam



Ser um mito



Mas existe



E saibam que eu acredito.




IX-



Quando bem meninos



Menino Jesus e seu primo



iam nadar



e brincar



Na raia olímpica da USP



pois naquela época



idos dos anos 80



esta universidade pública



era realmente da gente



sem muros



portarias



e como era bom



nadar na raia



e pescar no escuro.


 




XIV-


 


 



Jesus menino



Por ser pobre



De origem nordestina



E negro



Morando na favela



Sofria diariamente preconceito



De pseudo-s brancos



Falsos e pobres ricos



E paulistanos



Se achando nobres.



Chorava todo dia



De raiva e pela injustiça



Mas por dentro sabia



Ser ele o salvador



Pois seu nome era



Menino Jesus.


 


 


 


 


 


 


XV-



Quando estava muito triste



E chorava em parco e pobre barraco



Sabia que Deus



Seu pai



Sempre o ouvia



Isto era o seu consolo



Da sua condição de pobreza



Miséria e total abandono



Seu pai vigia noturno



Em casa não estava



Trabalhava a noite



E toda madrugada



Sua costurava para fora



A fim de complementar



Pobre salário



Do seu José



E sua mãe Maria



O protegia



Seja de noite



Seja de dia.


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 




XVI-


 



Quando Jesus menino



Completou nove anos



Ganhou um presente de grego



Não de Deus



Pois o acontecimento



Marcou sua vida para sempre



E assim mais uma vez



Menino Jesus chorou;



E sua alma de menino



Eternamente se calou.



 



 



XVII-



Em uma perseguição



Policial a um



Foragido e bandido local



Por engano, ou melhor, destino.



Jesus menino



Viu seus pais assassinados



Por guardas romanos



E muito bem armados



E lágrimas de sangue



Correram em sua face



E para todo o sempre


 


Seu coração


 


Sangrou.




XVIII-

 


Para o Jesus menino


 


O mundo acabou


 


Neste exato instante


 


Neste mesmo preciso


Momento e segundo


Gritou como se fosse explodir


E para que todo o mundo


O escutasse


E em forma de prece


A mais sincera oração


Perguntou aos céus


A Deus!


O seu verdadeiro pai


Por que senhor, eu.


Seu filho


Menino Jesus.



XIX-


Seu pai nos céus


Ouviu seu grito de dor


E desespero


E Javeh jamais


Abandona


Ou abandonará


Qualquer um dos seus filhos


Que são tantos


E, portanto


A menino Jesus

Seu filho predileto


Mandou um imenso


RELAMPAGO


E estrondoso trovão


Mesmo sem ter


Uma nuvem qualquer


No céu


Seu berço


Nosso melhor


E definitivo


chapéu.




XX-

Deus ouviu


E resolveu ajudar


Jesus menino


Pois os romanos


Tinham cometido um ledo


E cruel engano


E a responsabilidade por tudo acontecido


Foi dos fariseus


Falsos homens bons


Que queriam


responsabilizá-lo


por algo não cometido


Pois o verdadeiro


fascinora e bandido


O bandido morava


Morava ao lado do seu barraco


confundido e delatado


por maldito e hipócrita fariseu


Sendo que uma arma do seu pai


Foi achada


Os romanos não tiveram culpa


Era seu cruel


Destino de Jesus menino



XXI-

Jesus menino


Em sua maior


E cruel dor


Não ficou só


Pois seu pai nos céus


Teve dó


E resolveu mandar


O anjo da anunciação


Gabriel arcanjo


Para seguir seus passos


E protegê-lo e integralmente ser


Seu melhor amigo


Melhor vigia


Seja de noite


Seja de dia.










XXII


E o anjo da anunciação

passou a ser

seu melhor amigo

espiritual irmão

e consolava o martirio

de Jesus menino

inspirando seu sonhos

fazendo-o voar

com suas asas

e conhecer toda a cidade

e até o mundo

em apenas um único sonho

e em não mais

do que trinta segundos.




JOÃO DO GUETO.




























XXIII-


Jesus menino

Órfão mas com

Seu melhor amigo

Sempre ao seu lado

Foi acolhido pelo Estado

E levado para uma unidade

De crianças pobres e órfãs

E saibam vocês que não era

Tal ruim assim como diziam alguns

Pois agora tinha ao menos três refeições

Jantar, almoço e café-da-manhã

O que antes raramente tinha.






 



XXIV-
 
Quando estudava

em uma escola local

da rede municipal deste


grande e cruel metrópole


Gostava de ler historias fantásticas


E Monteiro Lobato era suas historias prediletas


E por coincidência ou muita sorte


Nesta unidade do Estado que o acolhera


Havia toda a coleção deste grande mestre


e assim seu sofrimento e solidão por perder seus pais


foi suprido na leitura diária destes livros


Um santo remédio e o mais seguro de todos os refúgios.


XXV-


Sete anos se passaram

E agora Jesus menino

Era um adolescente

Pobre e carente

Mas cheio de idéias

Para compartilhar

E assim ajudar

A sua comunidade de origem

E sua lembrança

Já não mais lhe causava vertigem

A ferida e em seu corpo cicatrizara

Mas em sua alma

O fato fatídico

Ainda restara

Em  cheiro , som e imagem.







XXVI-


Para acabar com todo o mal


Que um dia lhe aconteceu


Jesus menino encontrou


A melhor de todas as soluções


Voar pelo com asas de um anjo


Enquanto dormia.


Conhecer todos os povos


Culturas e línguas


Enquanto sonhando acordado


De olhos bem abertos


Sentidos apurados


Simplesmente lia.




XXVII-



Nem tudo era um bom sonho


Na vida de Jesus menino


Seu trágico e cruel destino


Ainda não se revelou inteiramente.


Apesar de ser bom em quase tudo


Que se propunha a realizar


Era sempre preterido por alguém


Na hora de seu premio ganhar


Geralmente um garoto loiro


E de lindos olhos azuis.


Para ser notado e reconhecido


Era preciso ser muito, mais muito


Melhor do que os outros


E mesmo assim


Seu tormento e maior preconceito


Nunca em sua vida


Teve fim.


XXVIII-




Um dia desses qualquer




Mas que passou a ser um




Importante e inesquecível dia




Assistiu a um filme na televisão




Que lhe uma grande idéia




Ampliando seus horizontes




E sua já agudíssima visão:




Ao mestre com carinho




Aonde o protagonista e herói




Dessa linda e romântica história




Não era mais um branco ou alemão




Mas sim um raro e especialíssimo negão




A encantar a tudo e a todos




A partir daí tomou a sua decisão




O que ser e como fazer




Para mudar seu mundo e dos seus irmãos.


XXIX-




o preconceito no Brasil




tem história




Caberá a nós




Buscar sua origem




Explicá-lo




E matá-lo




Como cobra serpente




Peçonhenta e vil




Começa com a escravidão




Primeiro do índio




Depois do negro africano




E mostra-lo será meu dever




E não colocá-lo para debaixo do pano.





XXX-

 

A escravidão do passado

ainda reflete

no preconceito de hoje

outrora escravo mercadoria

objeto de compra e venda

Agora a moderna escravidão

Só tem uma e única razão

A grande desigualdade social

que separa os pobres dos ricos

os muros separam e só tendem a crescer

mas quem sabe Jesus menino

possa a todos convencer

que somos todos iguais

perante a lei dos homens e de Deus

Rico, pobres ou plebeus.



XXXI-








 


Deus criou o homem


A sua igual e própria semelhança


Jesus criança


É a síntese e o compêndio


De todas as virtudes humanas


Mas como Caim matou Abel


Há algo de lobo e predador


No ser humano.


As línguas separaram o homem


Judeu, negro e italiano


Alemão, japonês e chinês


A causa deste mal


Ou melhor]


A segregação natural


Não é de Caim ou Abel


E sim da maldita Torre de Babel.


XXXII-




Nos últimos dez anos


Muitas coisas mudaram no Brasil


E para melhor


Tal qual


Bolsa família


Nossa casa nossa vida


Prouni e etc...


Mas a desigualdade e o racismo


Tem raízes histórias


E se houve avanços e melhorias


Muito ainda precisa mudar






XXXIII-






Pois ainda por aqui


A Justiça só vale


Para os três Pés


Preto, pobre e puta


Lema que vem


Dos tempos


da escravidão


quando os três P


era assim aos escravos


Pano, Pau e Pão






XXXIV-






O pão era o que o diabo amassou


O pau era o pelourinho


E os castigos brutais


E o pano era


Uma única peça


De roupa


Pano de saco


E que logo virava farrapo.



João do Gueto



















XXXV-




A história oficial


A verdade unicamente factual


Diz que:


Em um iluminado dia


Nossa querida e amada princesa


Acordou inspirada e mui bem


Abençoada


E com o lápis


Assinou a lei Áurea


Pois na realidade


O escravo quase liberto


Não teve muita


Ou qualquer escolha


Saiu correndo da Senzala


E cansado de tanto


Correr e andar


Parou no Rio de Janeiro


E assim criou e fundou


A primeiríssima Favela.


O MORRO DA FAVELA.
















XXVI-




Mas vamos voltar ao início de tudo


Da historia dos homens


Segundo a teoria criacionista


Deus criou a luz


Sendo o principio de Tudo


O demônio criou a escuridão


Por inveja e fraqueza



XXVII-




Mas o senhor de tudo e todos


Inclusive deste cão danado de malvadez


Mandou-o eternamente


Para as profundezas do inferno


Onde ate hoje arde no fogo escuro frio


Fruto da sua própria ruindade


E invejosa criação



XXVIII-





Resumindo em poucas


Mas tão precisa palavras


Deus acende a luz


O demônio desliga o interruptor.


Mas Deus que é maior do que tudo


Assim falou


FIAT LUX



XXIX-


Mas deixemos os primórdios de lado




E vamos retornar a história de Jesus menino




Uma criança divina




Tal qual o Dalai-lama




Só que com os pés descalços




Morador de uma comunidade pobre e carente




Quebrada forte, violenta e boca quente.




Um deus menino sem pai nem mãe.




E nesta história com o pé-na-lama.





XXX-






Quando vem chegando o Natal


As ruas se enfeitam


As janelas se iluminam


Só Jesus menino


que não fica contente


Pois no meio de tanta felicidade


coloridos e inúmeros presentes


Não sobra nenhum ou melhor


ninguém se lembra dos pobres e carentes


Feito ele: Jesus menino.







XXXI-




Por ter agora quinze anos


Jesus menino não é mais criança


Mas seus sonhos e desejos secretos


São os mesmo de quando seu coração sangrou


Muitos pedem por dinheiro e presentes caros


Jesus menino apenas queria


poder voltar no tempo


E avisar os seus pais


para saírem dali


e assim poder agora


Abraçá-los como sempre


fazia na noite de natal.


Pobre e em um barraco


De mais uma favela


Da periferia, mas quente


amorosa e feliz por sentir


o calor e o amor


de seus entes mais queridos


e para sempre perdidos.






XXXII-




Mas apesar de toda esta tristeza


Jesus menino sabe muito bem


E tem a total certeza


De que seu pai lá no céu


É mais do que justo


Pois como tem a todos nós


Como seus filhos e iguais.


XXXIII-





No final da vida terrena


Que é tão breve e tão pequena


Cada um terá a sua recompensa


Pois o trem chega e chegará para todos


E somente embarca nele


Quem nesta vida fez o bem


E fica mal e estacionado na estação


Que somente por aqui fez malvadeza


Disso ele tem a total


Ou melhor, quase certeza.


XXXIV-



Para que Jesus menino

Pudesse ter nascido

Algo anterior

Foi preciso

Ter acontecido

Ou melhor

O pai do seu pai

Meu avô Belmiro

Precisou existir

E eu vou contar

Um pouquinho

De sua história

E com deixá-lo

Para sempre vivo

Em, nossa memória.


XXXV-


Belmiro Rocha

Seu avô baiano

Nasceu um ano depois

Da Abolição da escravatura

Da assinatura da Lei Áurea.

Nasceu livre no papel

Mas na realidade

Ainda servia aos seus antigos donos.

Fazia o papel de garoto de recado

E como na época não existia a telefonia

E muito menos o celular

Não aparecera

O que havia para tal serviço

Era o “molecular”.












XXXVI-

Assim era passado o recado

De um lado para o outro.

Moleque, leve o bilhete lá

Mo leque la pra cá

Mo leque la pra lá.

E lá ia o menino Belmiro

Correndo e quase voando

E parecendo ter asas no pé

Tal qual um Deus grego

Mais rápido que o vento.

Hermes pretinho e baiano.


XXXVII-


Quando Belmiro menino

Completou quinze anos,

Resolveu partir dali

E tentar a sorte ou

Encontrar a morte no sul

Aonde havia trabalho

Para ex escravos ou

Filhos meninos da escravidão

No Rio de Janeiro

Então capital do país.


XXXVIII-



Podia arrumar serviço no cais do porto

Em direção ao Vale do Paraíba

E interior de São Paulo

Seus pés, persistência e muita fé

O levaram até São Carlos do Pinhal

Cidade de fazendas de café

Aonde arrumou trabalho

Depois de dois anos

Caminhando a sonhar

Com Novos e bons tempos

Em sua via cruxis a pé

De Belmiro quase ainda um menino.




XXXVIII-


Seu trabalho inicial

Em São Carlos

Até que não era mal

Andar pelas linhas

Do trem que nem

Vigia de trilhas e trilhos.

Para que não houvesse

Nenhum problema.



XXXIX-


Pedra na linha

Trilhos tortos

A ponto de descarrilar

O trem

Que vem a buscar café

Pelas fazendas afora

De São Carlos do Pinhal.









XL-




E o quase menino Belmiro



Andava quase doze horas



Na beira da linha do trem



Trilhos que ia



adentro as fazendas



de São Carlos do Pinhal.




XLI-




E o trabalho árduo



Acabava sendo prazeroso



Pois o zeloso vigia



Andava quase a correr



Assobiar lindas e belas



Melodias da época.



Seria o carinhoso



Do mestre Pixinguinha?


XLII-



Quando a pétala do amor

Desperta em um menino

É como o nascer

De uma nova

E linda primavera.

Sua cor e clara

Tom de um lindo

E azul céu anil

Seu semblante

Torna-se Eternamente

Claro e juvenil.



XLIII-



Tornando agora

o outrora menino

em Homem e para sempre

um romântico e apaixonado poeta.

Num mesmíssimo

E inusitado mágico instante

Um Goethe negro e caipira

Um eterno apaixonado

De Dante.




Um velho deitado diz

Que o amor existe

À primeira vista

e a janela de nossa alma

são os olhos de ver

e de sentir

com os olhos

do coração

mas desta vez

a regra dita não se fez.


XLIV-


e o amor aconteceu

com uma flecha certeira

de Eros

não em seu coração

Mas por ouvir e ver

Alguém

Pessoa personificada

pelo som um lindo assobio


Colorido e harmônico

Tal qual um lindo chorinho

Ou um canto de assobio





L-


Colorido e harmônico

Tal qual um lindo chorinho

Ou um canto de assobio

De inspirado passarinho

Belmiro agora homem

Ontem menino

hoje POETA


LI-





Segundo Herr. Doctor


Sigmund Freud


Duas forças


Regem o Homem


Eros e Tanatos


E Belmiro fora


Pós-flecha certeira


Do Cupido




LII-






Para sempre


Enamorado por


Uma bela italiana


Teresa de Guzzi




LIII-



Ela na janela


Feito moça namoradeira


Ele caminhante


Vigilante eterno


dos trilhos e destino


assim de repente.




LIV-




Deparou-se


com o trem


Mais belo e atraente


do mundo,


E ao trocarem


Magnéticos olhares




LV-


Seus trilhos e filhos


Convergiram em seu


Difícil mas


lindo destino


de Amantes fugitivos


Apaixonados errantes
























LVI-




Uma historia de Shakespeare


No interior de uma


Fazenda de café


Do interior


de São Paulo


São Carlos


Do PINHAL




LVII-




Um negro baiano


Uma RAGAZZA da Sicília


Revivendo Capuletos


E Montechios


Só que desta vez


Sem trágico final.



LVIII-

Romeu e Julieta
É talvez a historia
 de amor trágico
e impossível
mais conhecida
 do mundo

LIX-

Belmiro Rocha
E Teresa de Guzzi
E talvez o drama
 de amor
menos conhecido
 também do mundo



LX-

Mas essa historia
 
 não trágica
 
 mas dramática
 
Como já disse antes
 
 não tem trágico final
 
 mas sim
 
Um final feliz e historia
 
Que se encerra
 
Em São Carlos
 
Do Pinhal.



LXI-

 

Ao lembrar-se das historias

 

de seu avo

 

Jesus menino

 

sentia

 

que também vivera

 

o mesmo.

 

 

LXIII-

 

 

 

Em sua memória

 

 de jesus menino

 

em sua genética

 

história.